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Produtos láteos fermentados abrem o apetite das empresas

Produtos láteos fermentados abrem o apetite das empresas

Grupo de investigação da UAç apresenta ao público produtos láteos fermentados. Pequenas e médias empresas presentes mostram interesse por mercado potencialmente milionário.

Não houve um único "vencedor da corrida" na mostra de produtos láteos fermentados desenvolvidos pelo Grupo de Ciência dos Alimentos e Saúde do Centro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores (CITA-A), que decorreu ontem, dia 11 de maio, no edifício dos Serviços de Ação Social da Universidade dos Açores (UAç), por uma razão simples: todos os produtos tiveram sucesso.
Quem faz este balanço a DI é a responsável por aquele grupo, Maria de Lurdes Enes, que explica que, no evento, "houve representantes de vários setores e com apetência por produtos diferentes", o que levou a um interesse generalizado por parte da indústria relativamente a todos os produtos, de igual forma.
Estes novos produtos, desenvolvidos ao longo de cerca de nove anos por aquele grupo de investigação que conta com dois membros efetivos e vários alunos bolseiros, desde licenciatura até pós-doutoramento, destacam-se por retomar a tradição dos produtos láteos fermentados que a investigadora diz ter existido antigamente no arquipélago, mas que entretanto se perdeu.
"Esses produtos traziam muitos benefícios para a saúde porque contribuíam para os micro-organismos do nosso intestino", explica Maria de Lurdes Enes, sendo que "quando deixamos de os consumir, perdemos esse equilíbrio da saúde".
A mostra, que decorreu na UAç também no âmbito das celebrações do Dia do Leite, permitiu mostrar à indústria e aos agentes empresariais, bem como aos alunos interessados, em contexto de aprendizagem, vários protótipos de produtos feitos com leite fermentado em fase final de produção, feitos na própria universidade.
Entre estes, incluem-se o leite fermentado (Kefir) e os bombons e iogurtes probióticos, com "mais-valias nutricionais" e de "tecnologia simples", segundo o folheto informativo disponibilizado no evento, o requeijão, produzido num processo de aproveitamento do soro de leite resultante da produção de queijo, e o queijo curado com "culturas láteas dos Açores", que apresenta um "sabor tradicional" e uma "segurança reforçada".
Além destes, e ainda no setor dos queijos, foi apresentado um queijo fresco probiótico e com patente já submetida que, além das mais-valias nutricionais, tem caraterísticas de proteção contra a bactéria Listeria, além de um biofilme comestível sem cor e sem sabor que pode ser utilizado para a proteção das propriedades e para a melhoria de apresentação dos queijos, oferecendo também proteção contra aquela bactéria.
Até produtos também desenvolvidos na UAç e cuja apresentação não estava planeada, nomeadamente as maçãs desidratadas e os doces e compotas sem açúcar adicionado, que era suposto servirem apenas como acompanhamentos aos produtos derivados dos laticínios, tiveram sucesso junto de quem compareceu, diz Maria de Lurdes Enes.

Fermentação é
mercado de milhões

INTERESSE EMPRESARIAL
O objetivo desta mostra de produtos láteos fermentados cumpriu o seu objetivo de "demonstrar a versatilidade do leite enquanto matéria-prima e a sua flexibilidade em termos de inovação", já que, segundo Maria de Lurdes Enes, "notou-se mesmo muito interesse por parte das empresas, sendo que cada uma delas tinha os seus interesses específicos".
Acrescenta mesmo a responsável pelo Grupo de Ciência dos Alimentos e Saúde que o grupo ficou "com algumas ideias ", havendo "fortes possibilidades de haver uma aplicação destes conhecimentos" num futuro próximo.
É isso que pretende também a Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH) que, na pessoa de José Moules, esteve presente naquela mostra do grupo de investigação da UAç, tendo o membro daquela instituição ficado "surpreendido pela positiva, não só pela diversidade do produto como também pela sua qualidade, pelas suas vantagens, pelas suas origens e pela sua matéria-prima".
"O que me parece mais importante depois deste trabalho feito, que é de louvar, é encontrar os parceiros certos para investir", diz José Moules a DI, considerando o papel da CCAH essencial para colmatar alguma falha que a universidade possa ter em termos de contato com o mundo empresarial e a própria indústria dos laticínios.
Já em relação à eventualidade de uma resistência, ou falta de abertura, por parte do mercado açoriano a este tipo de produtos, ambos concordam que essa não se fará sentir de uma forma muito vincada, já que, segundo Maria de Lurdes Enes, "algumas empresas, especialmente as de pequena e média dimensão, demonstram alguma abertura à inovação".
"As pessoas não trouxeram ideias pré-concebidas, e isso é bom" diz a responsável pelo grupo de investigação do CITA-A.
Por sua vez, e com base na boa afluência de produtores locais naquele evento da UAç, José Moules diz não acreditar numa resistência por parte do consumo interno, principalmente devido ao facto de este tipo de produtos já ser fabricado em outros locais do Mundo, apenas com outras marcas e nomes diferentes.
À RDP/Açores, Maria de Lurdes Enes afirmou mesmo que a "reintrodução dos produtos fermentados" nos Açores é um mercado potencialmente "bilionário", bastando ver "a quantidade de produtos bioativos" que já existe, principalmente "dentro do ramo dos iogurtes e dos leites"


2015-05-12 por Diário Insular em DI

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