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PRIMEIRA ESTAÇÃO EXPERIMENTAL DE ECOLOGIA DO PAÍS ESTÁ LOCALIZADA NA BACIA DA LAGOA DO NEGRO

PRIMEIRA ESTAÇÃO EXPERIMENTAL DE ECOLOGIA DO PAÍS  ESTÁ LOCALIZADA NA BACIA DA LAGOA DO NEGRO

Os investigadores da UAç procuram descobrir como é que o processo de renaturalização pode ser feito de forma mais ecológica e rentável.

A primeira estação experimental de ecologia de Portugal está localizada na ilha Terceira e estuda o processo de renaturalização de uma pastagem.
Montada em terrenos baldios na bacia da Lagoa do Negro, a estação pretende estudar como é que podem ser feitas alterações ambientais, "de forma a melhorar a biodiversidade das áreas agrícolas e eventualmente provocar a renaturalização de áreas que sejam necessárias renaturalizar", segundo Eduardo Dias, diretor do Gabinete de Ecologia Aplicada e Aplicada (GEVA) da Universidade dos Açores.
Os investigadores procuram ainda descobrir "como é que isso pode ser feito a baixo custo, de forma o mais ecologicamente suportável e utilizando métodos o mais rentáveis possível".
Ao contrário do que o nome possa indicar, uma estação experimental de ecologia não é um aparelho, mas um conceito científico.
"São locais nos habitats dos organismos, no meio dos terrenos ou nas florestas, onde de alguma maneira nós conseguimos controlar o que lá se passa em termos das variáveis do ambiente e depois induzimos alterações no meio, o que nos permite estudar a reação dos organismos a essas alterações", explicou o investigador.
Em 2007, a direção regional dos Recursos Florestais decidiu renaturalizar uma área de 10 hectares de terrenos baldios na bacia da Lagoa do Negro, tendo iniciado a plantação de espécies endémicas.
Eduardo Dias, que na altura era responsável pelo projeto, sugeriu que fosse incluída no processo uma área de quatro hectares que ainda estava a pastagem, mas apercebeu-se, a meio do percurso, de que seria possível criar naquele espaço uma estação experimental de ecologia, já que "se tinha relativo controlo sobre os acessos, que se sabia exatamente o que é que lá estava e até se podia abrir as águas".
Desde 2010 que uma equipa de três investigadores da Universidade dos Açores faz estudos no local, com o apoio dos serviços florestais, bem como outros quatro alunos, que neste momento desenvolvem duas teses de doutoramento e duas teses de mestrado.
Os cientistas procuraram recriar um cenário em que a natureza recupera de perturbações, para identificar "os momentos chave" e medir os processos, em cada fase, por exemplo, na quantidade de nutrientes, na quantidade da água ou na reação do solo.
Entre outros projetos, os investigadores procuram perceber como é que as aves introduzem sementes naquela zona, como é que os musgões das turfeiras são capazes de substituir a pastagem ou como é que se pode utilizar o gado para pressionar a erva da pastagem a desaparecer.
Estas estações  têm a vantagem de estudar o comportamento das espécies no local, com os constrangimentos a que estão sujeitas como a chuva, o vento ou o nevoeiro. 


2014-12-10 por Alfredo Emílio Silveira de Borba (borba) em Diário Insular

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