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Observação do clima na Graciosa com bons resultados no último ano

Observação do clima na Graciosa com bons resultados no último ano

 

A estação de observação do clima açoriana (ENA) tem caráter definitivo há um ano, tendo recebido novos equipamentos no âmbito de um processo de expansão.

 

Fez, no último mês de dezembro, um ano desde que a ENA (Eastern North Atlantic), a estação de observação do clima situada na ilha Graciosa, passou de caráter provisório a permanente, pelo menos enquanto o seu trabalho continuar a ser tão frutuoso como tem sido até agora.
Quem nos explica esta transição é Eduardo Brito de Azevedo, o investigador e gestor do projeto nos Açores. "O resultado da primeira campanha, provisória, entre 2009 e 2011, provou que o sítio era de excelência" para a produção científica climatológica, diz o especialista.
Destas instalações açorianas saiu um número de dados e artigos científicos suficientemente vasto para que, a partir de dezembro de 2013, a ENA passasse a ter caráter definitivo, sendo uma das cinco estações fixas do programa ARM (Atmospheric Radiation Measurement - Monitorização da Radiação Atmosférica) em que está inserida.
No último dia 6 de janeiro foi publicado um artigo no sítio Web do programa ARM relacionado com o processo de expansão de divulgação de dados que tem sido levado a cabo na ENA neste último ano, e que se pretende ver continuado no futuro.
Segundo aquela página Web, a ARM "enviou para instalação os primeiros doze sistemas instrumentais para a ilha Graciosa em finais de setembro de 2013".
Depois disso, adicionou, em fevereiro de 2014, um sistema de geração de hidrogénio, um balão meteorológico telecomandado e refinou o sistema de medição de aerossóis.
Nos meses de verão do mesmo ano, acrescentou vários outros meios de estudo, como radares e outros instrumentos de medição climatérica.
A estação de observação açoriana beneficiou ainda de outros "equipamentos convidados", ou seja, que fazem parte de outras organizações e instituições interessadas em explorar mais esta área climatérica açoriana.
Explica Eduardo Brito de Azevedo que "quem quiser instalar equipamentos nas nossas instalações pode fazê-lo", bastando para isso submeter-se a uma "proposta de protocolo" que depois será avaliada pelos oficiais americanos, que coordenam o projeto, e permitirá, ou não, a outras instituições "fazerem lá os seus estudos, sem pagar nada".
O único requisito é que os dados recolhidos sejam partilhados por toda a comunidade científica internacional, tal como os dados da ENA também o são depois de validados nos EUA.
A Universidade de Évora foi a primeira interessada nesta espécie de arrendamento do território da ENA, tendo lá instalado um sensor eletromagnético que mede a força dos campos elétricos das nuvens.

PARTICULARIDADES DO CLIMA
Segundo o gestor do projeto, devido às caraterísticas específicas do seu clima a estação graciosense é a única das cinco estações da ARM que está vocacionada para "monitorizar a interação de nuvens, aerossóis e precipitação" na região, como enumera a página Web do programa.
"As outras estações (como do Alasca, da Austrália ou da Antártida) também têm mar", diz, "mas estão em zonas climáticas distintas" da açoriana.
Os dados, diz Eduardo Brito de Azevedo, são recolhidos "desde o primeiro dia e desde o próprio período de instalação do material", de forma ininterrupta. Acrescenta ainda que a informação "é gratuita e livre para toda a comunidade científica internacional".
A estação de estudos climatéricos ENA conta desde o início com o apoio do Governo Regional, tendo como principal objetivo o estudo de fenómenos pouco naturais ou menos recorrentes, segundo o professor da Universidade dos Açores.
"Não é por fazer mau tempo que vamos deixar de estudar estas questões", diz Eduardo Brito de Azevedo. Até pelo contrário, "o que nós queremos é mesmo estudar fenómenos pouco normais dessa natureza", acrescenta, tão comuns no arquipélago açoriano.


2015-01-08 por Diário Insular em Diário Insular

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