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Obra de naturalista açoriano destacada a nível nacional

Obra de naturalista açoriano destacada a nível nacional

 

O jornal Observador dedicou uma peça ao naturalista açoriano Arruda Furtado, que contatou com Charles Darwin. A DI, Paulo Borges fala no seu percurso.

 

O jornal português Observador publicou, no último dia 6 de março (sexta-feira), uma reportagem relacionada com a vida e obra do naturalista açoriano Francisco Arruda Furtado, nascido em Ponta Delgada, que trocou correspondência com o especialista britânico Charles Darwin poucos anos antes da morte deste.
No artigo, a jornalista Vera Morais fala numa relação de recomendações, conselhos e livros autografados que durou cerca de dois anos e numa "admiração mútua dos dois evolucionistas, um com 27 anos e o outro com 72".
A DI, Paulo Borges, coordenador do Grupo da Biodiversidade dos Açores, descreve um pouco do percurso do especialista açoriano, nascido em 1854 e falecido em 1887, com 33 anos.
"Francisco Arruda Furtado é conhecido entre os biólogos e naturalistas açorianos, mas completamente desconhecido do público em geral. Mesmo na comunidade científica nacional talvez não seja muito conhecido", diz Paulo Borges.
Mesmo assim, acrescenta que "o reconhecimento de um cientista deve ser resultado da sua obra publicada, e isso ele tem bastante", principalmente na área da malacologia (estudo dos caracóis e lesmas), em que se tinha especializado.
Foi citado por vários cientistas internacionais da época, principalmente na área da malacologia, sendo que o principal objetivo dos seus estudos foi "comparar espécies de moluscos açorianos, americanos e europeus para compreender a origem das espécies que vivem no arquipélago", explica o professor universitário.
Para além disso, o seu trabalho serviu também de base para as ideias e os estudos de outros naturalistas açorianos do século IX, como Carlos Machado, Bruno Carreiro e Afonso Chaves, em São Miguel, e José Sampaio e Alfredo Sampaio, na Terceira.
O interesse de Arruda Furtado recaía também sob problemas antropológicos (da origem do povo açoriano), tendo sido um dos pioneiros do estudo de biogeografia nos Açores.
Este seu vasto legado permite que, hoje, "investigadores como o Prof. António Frias Martins desenvolvam estudos mais detalhados sobre os caracóis dos Açores e ainda utilizem algum do repositório científico de Arruda Furtado como referência de base", diz Paulo Borges, registando-se assim uma continuação do trabalho daquele naturalista açoriano mesmo após a sua morte.
Para o coordenador do Grupo da Biodiversidade dos Açores, Arruda Furtado "foi capaz de interpretar a biodiversidade dos Açores de uma forma avançada, à luz de um paradigma científico revolucionário na época (de Charles Darwin)".
Especificamente, explica Paulo Borges que "Arruda Furtado terá sido dos primeiros investigadores a reconhecer, ainda em 1881, que os animais e plantas dos Açores cá chegaram por processos de dispersão a longa distância e evoluíram "in situ", apoiando assim as ideias da seleção natural e evolução biológica de Charles Darwin".
O Museu Nacional de História Natural e Ciências organizou recentemente uma exposição sobre a vida do naturalista açoriano.


2015-03-11 por Diário Insular em DI

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