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Nova espécie de aranha cria teias na Terceira

Nova espécie de aranha cria teias na Terceira

 

oi identificada uma nova espécie invasora de aranhas na Terceira. Animal é inofensivo mas pode vir a entrar em conflito com as espécies nativas.

 

Há uma nova espécie invasora de aracnídeo na ilha Terceira. A Zoropsis spinimana, uma espécie exótica com origens na região mediterrânica, foi identificada na Praia da Vitória, na zona do Juncal, perto do aeroporto das Lajes e, também, do porto da Praia, onde é possível que tenha desembarcado.
A confirmação da presença daquela espécie invasora na ilha foi feita pelo Grupo de Biodiversidade dos Açores (GBA), depois de alguns contatos nos portais afetos àquele grupo feitos por populares que recolheram os espécimes, explica Paulo Borges, o coordenador daquele grupo de investigação da Universidade dos Açores.
"Primeiro, foi o senhor de uma carpintaria que nos contatou, e a seguir uma aluna da universidade que identificou um espécime na sua casa", diz o investigador. Quanto à sua proveniência, diz que "os ovos podem, inclusive, ter vindo em madeira importada do continente, ou mesmo através de alguns juvenis que se alojaram dentro da casca das árvores".
Apesar de a Zoropsis spinimana ser nativa da região mediterrânica, "nos últimos 20 anos tem sido registada uma expansão que abrange a Europa central e Rússia, e já está introduzida na América do norte", diz um artigo publicado na página do GBA no último dia 25 de março (quarta-feira).
Nos Açores, aquela espécie invasora foi identificada, pela primeira vez, no Faial, em 2009, e no Pico em 2013.

ARMADILHAS
A presença desta nova espécie invasora no arquipélago "demonstra que continua a livre expansão de espécies exóticas nos Açores, sem qualquer controle eficaz em portos e aeroportos", segundo aquele artigo da página do GBA.
Para Paulo Borges, seria interessante ter em atenção o sistema italiano de armadilhas instaladas em zonas de transporte (portos marítimos e aeroportos) para identificar e intercetar espécies invasoras.
Estas armadilhas, que funcionam através de fatores de atração daquelas espécies animais, como a luz, poderiam, segundo o especialista, ser um complemento às "ações de controlo realizadas pela direção regional da Agricultura", que têm "um efeito limitado".
A sua instalação poderia ser indispensável na monitorização dos portos da Região, diz Paulo Borges, até à luz das recentes vagas de térmitas e, mais recentemente, de bichos-pau (Clonopsis gálica) que se têm vindo a registar nos últimos tempos.

A ARANHA EXPLICADA
Segundo o artigo publicado na página do GBA, a Zoropsis spinimana tem "cerca de 2 cm de corpo e até 5 cm, incluindo as patas. A parte central do seu corpo (prosoma) é castanha com grandes manchas mais escuras. O abdómen (opistossoma) tem marcas pretas na zona superior. As pernas são de cor castanha, salpicadas de pontos pretos".
Apesar do seu tamanho e aspeto, que podem causar alarme, esta espécie é inofensiva, já que "não é agressiva e não apresenta riscos para a saúde". Não existem relatos relativamente à sua mordedura, pelo que se assume que a mesma não terá qualquer importância médica.
"É possível ser encontrada em zonas com atividade humana, debaixo de cascas e em troncos e madeiras velhas, onde a sua coloração lhe permite uma excelente camuflagem. Normalmente são avistadas em casas, onde procuram refúgio", diz aquele artigo. A sua atividade regista-se em maior grau durante a noite, "mantendo-se imóveis durante o dia".
Para Paulo Borges, uma invasão daquela espécie que "não é nativa dos Açores pode levar a que, no futuro, se crie conflitos com outras aranhas nativas", sendo recomendável, perante um possível avistamento do animal, coloca-lo num frasco e contatar o GBA e/ou a Universisade dos Açores, de forma a acrescentar-se a nova localização.


2015-04-01 por Diário Insular em DI

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