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Leite de São Jorge é o melhor da Europa

Leite de São Jorge é o melhor da Europa

 

O caso de São Jorge é muito particular, mas também nas outras ilhas se podia fazer uma triagem do leite à porta dos postos de recolha, segundo José Matos.

 

O investigador da Universidade dos Açores José Matos não tem dúvidas de que hoje o leite de São Jorge é "o melhor da Europa".
O processo de melhoria da qualidade do leite foi polémico, mas teve efeitos imediatos. A implementação foi rápida e eficaz.
Primeiro uma cooperativa, depois as outras por arrasto, começaram a fazer análises ao leite no momento da entrega na fábrica.
Os testes rápidos detetavam se o leite estava doente e nesses casos o produto era rejeitado.
No início, houve algumas reações negativas por parte dos agricultores que viam o seu leite rejeitado, mas aos poucos a qualidade do leite entregue foi aumentando.
 "Rapidamente os agricultores perceberam que não podiam entregar aquele leite", explicou José Matos.
Bastou aos agricultores melhorar as condições de higiene e de saúde das vacas para aprimorar a qualidade do leite.
Também nas outras ilhas, seria possível, na opinião do investigador, ter um modelo semelhante de triagem do leite, à porta dos postos de recolha. No entanto, José Matos salienta que o caso de São Jorge é específico, porque o queijo é feito com leite cru.
A triagem conjugada com a implementação de um sistema de classificação de leite fez com que a qualidade do produto se reforçasse, o que teve consequência também no resultado final, na qualidade do queijo.
Apesar da melhoria no leite, José Matos considera que ainda seria possível evoluir mais, se as cooperativas tivessem capacidade para empatar capital e aumentar o tempo de cura do queijo.
"O desejável era poder criar algum fundo para que pelo menos parte do queijo tivesse maturação mais prolongada", defendeu.
Atualmente, o queijo existente no mercado tem maturação de quatro ou de seis meses, mas o investigador entende que seria possível ter um queijo com um ano ou mais de maturação, o que lhe permitiria ficar mais picante, por exemplo.
Para além da necessidade de capacidade financeira para o fazer, era preciso também procurar um "mercado gourmet" que apreciasse o sabor desse queijo.
A melhoria da qualidade do leite não se refletiu no aumento do preço do queijo ou do valor pago ao produtor. Segundo José Matos, ainda há um longo percurso no marketing para criar canais próprios de distribuição do queijo de São Jorge, com vista à valorização do produto.
Tal como em São Jorge, na Terceira o investigador considera que o leite é de qualidade. O problema está na comercialização do produto. 


2015-03-16 por Diário Insular em DI

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