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?Açores - Um Retrato Natural??

?Açores - Um Retrato Natural??

Trezentas fotografias poderosas, acompanhadas por textos rigorosos mas acessíveis, mostram ao grande público nove tipos de paisagem açoriana. Dos vulcões às florestas, da costa às grutas e das lagoas às áreas urbanas, está tudo no livro “Açores - Um Retrato Natural”. Durante os Verões de 2006 e 2007, Clara Gaspar e Pedro Cardoso percorreram as nove ilhas dos Açores, tentando capturar a Natureza do arquipélago, tanto as paisagens mais fortes como o lado mais oculto.
À fotografia de Pedro Cardoso juntaram-se textos de 10 autores, a maioria investigadores da Universidade dos Açores. Apenas a participação do historiador Francisco Maduro Dias foi exterior à Universidade. O resultado é o livro “Açores - Um Retrato Natural”, uma obra inédita a nível regional e até nacional.
Os textos têm rigor científico mas estão escritos de forma acessível ao grande público. “Tentámos que as pessoas desfrutassem da leitura deste livro”, explica Clara Gaspar, que coordenou a área dos textos. “Seguimos um modelo um pouco ao estilo da National Geographic, com frases curtas, linguagem viva”, prossegue o professor Paulo Borges, um dos coordenadores do grupo.
E as fotografias são de uma beleza esmagadora. Desde a paisagem árida dos Capelinhos até a uma imagem de um pequeno bicho-de-conta, tirada com lente macro. Ao todo, o fotógrafo capturou nove tipos de paisagem: Vulcões e Mistérios; Mistérios Negros; Florestas Naturais; Lagoas; Turfeiras; Grutas; Bosques de Exóticas; Zonas Costeiras, existindo até um capitulo dedicado às áreas urbanas e a presença da natureza neste espaço.
Mas talvez o mais original seja o livro fugir à típica imagem de postal ou de folheto turístico. “Esta opção pelo desconhecido não foi por acaso. Quisemos mostrar locais, facetas da Natureza dos Açores que as pessoas não conhecem tão bem. Isso pode até incentivar as pessoas a explorarem mais”, avança Paulo Borges. “ Podemos encontrar vida em todos estes tipos de paisagem. Este é também um convite à descoberta”, conclui Clara Gaspar, manuseando o livro de capa dura, quase uma edição de coleccionador.
E, por vezes, nem é necessário seguir trilhos perigosos e desconhecidos para encontrar um tesouro natural. “É o caso do topo da Caldeira da Serra de Santa Bárbara, aqui na ilha Terceira. A maioria das pessoas não avança até esta zona, onde existe o fragmento de floresta natural mais bem preservado dos Açores”, revela Clara Gaspar.
Outra mais-valia da equipa que avançou com o livro é a esmagadora maioria dos elementos terem formação científica. “É o caso do Pedro (o fotógrafo), que é biólogo de formação. Outro fotógrafo poderia fazer imagens bonitas, mas o Pedro chega a um local e sabe exactamente o que procurar, o que está a ver. Por vezes é preciso esperar horas para se conseguir ter uma boa foto de um insecto, por exemplo. E essa foto pode até não ficar boa… Dificilmente outro fotógrafo teria esse tipo de sensibilidade”, acredita Clara Gaspar.
Ao todo foram tiradas mais de 15 mil fotos. No livro estão 300. “Foi precisa persistência”, sorri a investigadora.

Turismo e promoção
A semente deste livro está noutro livro. O primeiro, publicado pelo Grupo da Biodiversidade da UA, fazia uma “Listagem da Fauna e Flora Terrestre” dos Açores. A obra “Açores - Um Retrato Natural” é a tradução para o grande público. “Pode dizer-se que este livro marca o início de um maior diálogo com a sociedade. O grupo tem várias obras publicadas mas esta é aquela que surge já mais numa perspectiva de divulgação, de formação”, explica Paulo Borges.
Para além dos capítulos principais existem ainda pequenas secções que exploram fenómenos naturais, como a reprodução ou o mimetismo (a capacidade certos animais e plantas de se dissimularem no seu habitat, de forma a escaparem a predadores ou, por outro lado, a apanharem as presas).
O livro lançado este mês pode ainda ser uma ferramenta a utilizar na área do Turismo. “Este livro é muito importante para a Promoção da Natureza dos Açores e interessa em termos turísticos. É uma boa recordação para se levar dos Açores”, considera Paulo Borges, que fala a DI no final do dia de trabalho de uma sexta-feira, no seu gabinete no pólo da UA na Terra-Chã. “Já está traduzido para inglês, ambas as versões estão à venda em tabacarias. Uma possibilidade é lançar outras traduções, em alemão ou francês”, revela.
Por agora, é tempo de fazer contas ao que já foi conseguido. O livro nasceu de uma proposta de Clara Gaspar e Pedro Cardoso ao Grupo da Biodiversidade do Departamento de Ciências Agrárias da UA, que levou o assunto ao CITA-A (Centro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores), que confiou ao projecto 18 mil euros. Depois surgiu a parceria com a editora Veraçor, a equipa de design da CRIUNO. A secretaria regional do Ambiente e do Mar e os Montanheiros também apoiaram a publicação. “Penso que se confiou num projecto pioneiro, que tem toda a razão de ser. Agora em 2010 é o Ano Internacional da Biodiversidade. O livro chega na altura certa”, afirma Paulo Borges.
Pedro Cardoso ainda se lembra bem dos Verões gastos a captar desde os pormenores preciosos até aos vulcões majestosos da Região. Além disso, também tirou fotografias durante 2008, na Terceira. “Foi um trabalho muito interessante, mas é verdade que algumas fotos eram difíceis de tirar. Por vezes era necessário esperar horas para a luz ficar boa… Depois no caso dos insectos era procurá-los, tentar captá-los da melhor forma”, explica.
Acredita que o livro é um marco na promoção da natureza do arquipélago, mas não só. É uma janela aberta para que a comunidade olhe para dentro do mundo universitário. “Mostra-se assim muita da investigação que tem sido feita. As pessoas podem, por fim, perceber o quanto a universidade tem feito”.


2010-01-06 por Alfredo Emílio Silveira de Borba em Diário Insular

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